ID Sudoeste: Como fortalecer um turismo que respeite e regenere o território?

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De que forma se constrói o turismo regenerativo no Sudoeste? Como podem os turistas viajar, conhecer e contribuir de forma a deixar o território melhor do que encontraram? Como podemos juntos valorizar a natureza, as comunidades e as tradições locais enquanto construímos oportunidades para quem aqui vive? 

À boleia da experiência guiada recentemente por Afonso Pereira à sua destilaria de medronho, em São Miguel (Odemira), no âmbito do 6.º encontro de parceiros do Consórcio ID Sudoeste liderado pela Rota Vicentina, gostaríamos de convidar à reflexão sobre o papel que o turismo de aprendizagem pode ter no território.
O aprofundamento de experiências, como a visita à destilaria Junior Jacques, abre espaço para refletir em torno desta questão e dá sinais de como esse caminho trilhado em conjunto pode vir a ganhar forma.

Aprender com quem vive o território

Ao abrir as portas do seu espaço, Afonso não está apenas a mostrar como se faz aguardente. Está também a partilhar conhecimento, histórias e uma forma de relação com a paisagem, convidando quem visita a fazer parte do processo, fomentando uma troca mútua.
Quem chega pode aprender sobre a paisagem, os saberes, os ritmos do lugar e participar em ações concretas e iniciativas que contribuam para melhorar a região que os recebe.
Quem acolhe pode ganhar novas perspectivas sobre como valorizar e cuidar do território.
É importante continuar a evolução deste modelo e perceber que experiências queremos continuar a criar. Como podemos fortalecer o turismo que respeita e regenera este território? E de que forma o trabalho em rede pode ajudar a transformar ideias em ações concretas?
Estas são algumas das questões que se colocam para o desenvolvimento do território, que se quer sustentável, autêntico, com a contribuição de todos os agentes envolvidos – empresas de turismo – e não só -, entidades públicas que gerem o território, residentes e visitantes.

 Inovar para preservar identidade

A ideia de que a inovação pode ser uma importante ferramenta para manter e reavivar tradições identitárias do território, como demonstrou o Afonso na sua destilaria, também pode ser aplicada na forma como gerimos e pensamos a região Sudoeste e a nossa atividade.
Em vez de lenha, por exemplo, Afonso utiliza gás no processo de destilação, o que lhe permite maior controlo de temperatura e gestão de recursos para produzir uma aguardente de medronho que se tem vindo a destacar pela sua qualidade, tendo já sido premiada. A par da produção, a destilaria é também um local de visitação, onde recebe turistas e parceiros.
Esse mesmo espírito pode guiar a forma como pensamos e desenvolvemos a região Sudoeste e a nossa atividade de forma sustentável. É possível honrar o passado através de novas abordagens que fomentem a regeneração do território. O turismo de aprendizagem pode ser a forma de dar a oportunidade a quem nos visita de passar de mero observador a fazer parte do processo regenerativo.
Continuamos a trilhar o caminho conjunto do consórcio ID Sudoeste liderado pela Rota Vicentina no âmbito do programa PROVERE*. No próximo encontro de parceiros, em maio, está prevista uma visita à Escola de Pastores, com um momento de reflexão e aprendizagem conjunta sobre as pastagens e pastores como elementos-chave para a gestão da paisagem e a valorização da experiência turística.

*PROVERE – Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos

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Ângela Nobre

Alentejana de espírito inquieto, olhar atento e curiosa profissional – um traço de personalidade que os anos dedicados ao jornalismo poderá ter agravado. Na equipa de Marketing e Comunicação da Rota Vicentina desde 2026, mantém um pé no trilho, onde tudo começa e as ideias respiram. Porque antes de comunicar, é preciso viver o território.

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