Monitorização ecológica dos Trilhos Pedestres da Rota Vicentina (parte 1)

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Para que serve um estudo de monitorização?

Grande parte dos trilhos pedestres da Rota Vicentina (RV) desenvolvem-se no Sítio Costa Sudoeste da Rede Natura 2000 e no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, pelo que a conservação da natureza foi uma preocupação muito presente para os promotores do projeto.

Por outro lado, a natureza e a paisagem são elementos essenciais para o sucesso da Rota Vicentina e, de forma geral, para a sustentabilidade económica do turismo no sudoeste de Portugal. Assim, antes do início do projeto, os responsáveis da RV preocuparam-se em perceber que impactes ecológicos poderiam ter os trilhos de caminhada e como poderiam evitar ou minimizar os impactes negativos.

voluntarios

Começou-se por realizar um estudo de incidências ambientais, em 2013, antes da abertura dos trilhos. Tratou-se do “ano zero” da monitorização. O que se estudou nesse momento inicial do projeto?



  • Fez-se uma pesquisa acerca de impactes ecológicos de outras rotas pedestres, um pouco por todo o mundo. Embora em Portugal não seja comum monitorizar esses impactes, há países com muitos resultados já produzidos e que têm até uma área de investigação dentro da Ecologia designada Ecologia da Recreação

  • Fez-se uma listagem e caracterização de todos os impactes das rotas pedestres descritos na bibliografia científica, tanto ao nível da paisagem, como do solo, da vegetação e da fauna. Fez-se depois um trabalho de adaptação à realidade específica deste território, resultando num conjunto de impactes negativos e positivos previsíveis para os trilhos de caminhada da Rota Vicentina.

  • Identificaram-se os locais atravessados pelos trilhos e que seriam mais suscetíveis de terem impactes ecológicos negativos, nomeadamente a zona litoral, em ambiente dunar, muito sensível à perturbação antropogénica.

  • Desenvolveu-se e aplicou-se um conjunto de indicadores que permitem ir medindo esses impactes. Por exemplo, se um impacte previsível é um alargamento dos trilhos, mede-se a largura dos trilhos no ano zero e repete-se essa medição em anos subsequentes.


Entretanto foi realizado um primeiro estudo de monitorização em 2017 (disponível no site da Rota Vicentina), quatro anos após o início do projeto, e repetiu-se no ano 2023, decorridos 10 anos de funcionamento dos trilhos.

voluntarios no trabalho
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Paula Canha

Paula Canha, bióloga, mestre em Biologia da Conservação, professora na Escola Secundária de Odemira. Vive no concelho de Odemira desde 1987. Os seus principais interesses são o conhecimento, divulgação e preservação dos valores naturais do sudoeste de Portugal. Participou em numerosos estudos ambientais, trabalhos de monitorização ecológica e cartografia de valores naturais. Colabora, entre outros […]

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