ID Sudoeste: Sistema Alimentar de Odemira cultiva proximidade entre produção e consumo local

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Sistema Alimentar Local de Odemira: Um caminho colaborativo para alinhar quem produz e quem consome no território

E se o futuro da alimentação passasse por relações mais próximas, justas e conscientes entre quem produz e quem consome? O SAL Odemira (Sistema Alimentar Local) está a trilhar caminho para transformar essa possibilidade em prática, procurando criar pontes entre produtores e consumidores locais.

Promovido pela Regenerativa Cooperativa Integral, membro do Consórcio ID Sudoeste liderado pela Rota Vicentina no âmbito do PROVERE*, o projeto está a cultivar relações e partilha de conhecimento em busca de soluções práticas para construir um sistema alimentar mais local, resiliente e ajustado às necessidades reais de quem produz e de quem consome. 

Mais do que mapear produção ou identificar necessidades, o SAL Odemira tem vindo a construir um processo colaborativo que coloca as pessoas no centro. Através de escuta ativa e do trabalho em rede, o projeto aproxima diferentes realidades — da produção ao consumo — criando as condições para respostas mais alinhadas, sustentáveis e duradouras. 

Ao longo dos últimos meses, o SAL Odemira, que conta com financiamento do município de Odemira, tem desenvolvido um trabalho contínuo de proximidade com o território, assente na auscultação ativa de diferentes intervenientes 

Através de entrevistas, encontros e momentos de partilha, tem sido possível mapear a produção existente – embora ainda não tenha sido possível fazer o levantamento de informação na totalidade do concelho de Odemira -, começar a compreender padrões de consumo e a identificar desafios concretos. A intenção é criar uma base sólida para a ação.  

Ao ouvir o território, envolvendo produtores e consumidores, o projeto vai construindo uma aprendizagem coletiva, permitindo usar essa escuta para criar conhecimento. Esta abordagem permite não só identificar dificuldades, mas também alinhar expectativas e detetar oportunidades, reforçando a ligação entre quem produz e quem consome. 

Este processo participativo tem evidenciado um ponto essencial: o potencial do consumo local existe, mas a sua concretização depende da capacidade de articulação entre todos. É neste espaço de encontro entre necessidades e expectativas que o SAL se posiciona, promovendo soluções construídas em rede. 

Do diagnóstico à ação

Foi neste contexto que, no dia 16 de abril, o Espaço Nativa acolheu mais uma sessão do projeto, reunindo consumidores locais do setor do turismo, entre os quais vários associados da Rota Vicentina da área da restauração e alojamento, bem como a presidente da Associação, Sara Serrão.  

O encontro, facilitado por André Vizinho, coordenador do projeto SAL Odemira, reforçou a importância de criar espaços de diálogo onde diferentes perspetivas possam convergir. 

Ao longo da sessão, tornou-se evidente que os desafios são partilhados: a escala de produção, a certificação, a logística ou a irregularidade da oferta e da procura. Mas também ficou claro que as respostas ganham força quando construídas coletivamente. O papel de estruturas como cooperativas, bem como o planeamento conjunto entre produção e consumo, surgem como peças-chave para dar consistência ao sistema. 

A valorização da produção local foi outro dos eixos em destaque. O uso de produtos sazonais, o aproveitamento integral dos alimentos e a transformação de excedentes demonstram que é possível produzir e consumir de forma mais consciente, eficiente e alinhada com o território. 

Ao mesmo tempo, a melhoria da comunicação entre produtores e consumidores foi identificada como uma necessidade central. Partilhar informação sobre disponibilidade, antecipar necessidades e criar canais diretos são passos fundamentais para reduzir desperdício e aumentar a eficiência do sistema. 

Maior autenticidade na experiência turística

O encontro confirmou ainda um sinal encorajador: existe um interesse crescente, por parte de setores como a restauração e o turismo, em integrar produtos locais e biológicos — desde que haja garantia de fornecimento e previsibilidade. 

A possibilidade de integrar produtos locais nas suas ofertas de forma mais estruturada, dá às empresas do setor de turismo a oportunidade de qualificar a experiência que proporcionam, diferenciando-se pela autenticidade e contribuindo também para um modelo económico mais sustentável e regenerativo, enraizado no território. 

Mais do que um conjunto de iniciativas, o SAL Odemira afirma-se como um processo em construção, onde o foco está na criação de ligações duradouras entre pessoas, atividades e interesses. “Cultivar” aqui significa precisamente isso: aproximar, alinhar e fortalecer. 

Num território com forte identidade e recursos próprios, apostar na produção e consumo local é também uma forma de reforçar a economia, valorizar o saber local e promover maior sustentabilidade. E esse caminho faz-se, cada vez mais, em rede. 

Cofinanciado por:

*PROVERE – Programa de Valorização Económica dos Recursos Endógenos

Fotos: Regenerativa Cooperativa Integral

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Ângela Nobre

Alentejana de espírito inquieto, olhar atento e curiosa profissional – um traço de personalidade que os anos dedicados ao jornalismo poderá ter agravado. Na equipa de Marketing e Comunicação da Rota Vicentina desde 2026, mantém um pé no trilho, onde tudo começa e as ideias respiram. Porque antes de comunicar, é preciso viver o território.

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