Seminário “Turismo: um barómetro de sustentabilidade em territórios rurais”

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A Associação Rota Vicentina está a organizar o Seminário “Turismo: um barómetro de sustentabilidade em territórios rurais”, que irá acontecer no próximo dia 31 de Março em S. Torpes, no âmbito da 3ª edição da Semana ID.

Seminário “Turismo: um barómetro de sustentabilidade em territórios rurais” - Semana ID Rota Vicentina

Trata-se de uma sessão com entidades e especialistas convidados com papel activo na monitorização dos impactos do turismo, com particular incidência para as áreas rurais. A Rota Vicentina pretende estimular uma sessão de trabalho, reflexão e debate de possíveis soluções para uma orientação conjunta sobre a necessidade de evolução dos actuais modelos de estudo desta matéria

Mais concretamente, será discutida a relação do turismo com a ocupação (integrada) do território, a paisagem, o mosaico agrícola e florestal, os serviços dos ecossistemas a economia local e circular, entre outros aspectos.

Como trazer esta realidade para as estatísticas? É pertinente? Há casos de estudo? Como podemos dar os primeiros passos? O que ganharíamos, como país?

O turismo tem sido tratado como um sector que engloba alojamento, transportes, animação turística, operação turística, restauração. Mas no mundo real, muito do que o turismo realmente é está para além destes negócios. No meio rural, em particular, o turismo vive da paisagem, que se quer bela mas com conteúdo: do acesso a uma economia local endógena e inovadora, de uma comunidade de residentes e visitantes consciente e colaborativa.

Na prática, o bem-estar e a actividade das populações residentes é a matéria prima do turismo do futuro e quando esta matéria prima se degrada ou se esgota, é preciso agir: travar a “produção”, reinvestindo na regeneração da matéria prima e gerindo a sua utilização em prol do produto turístico e dos visitantes. O turismo deverá funcionar como uma alavanca para o desenvolvimento sustentável do território e das suas populações, gerindo eficazmente a sua pressão e impactos sobre o território.

Os territórios rurais têm vindo a sofrer transformações socio-económicas e biogeofísicas em resultado de novas actividades e ocupações do solo, que geram impactos transversais, inclusive para o turismo. A crescente ocupação por mono-culturas intensivas, que geram proveitos para o sector da produção florestal e agrícola, implicam também custos para o território, nomeadamente em perda de biodiversidade, degradação da paisagem, aumento da erosão, despovoamento, extrema pressão sobre a habitação ou desenraizamento socio-cultural.

Uma aposta na manutenção e valorização da floresta autóctone ou mosaico agrícola multifuncional tem o potencial de gerar mais valias e oportunidades de negócio que alimentam toda a cadeia de valor de um território, criando sinergias entre empresas e comunidades locais, nomeadamente no que ao turismo diz respeito. Qual o potencial de valorização mútua que encontramos entre os vários sectores e o turismo, e que na prática se dilui entre as populações residentes e visitantes?

Num momento em que se ambiciona um crescente e equilibrado êxodo para as áreas rurais por parte de jovens famílias e comunidades, que fomente a tal qualidade de vida tão inerente à gestão dos terrenos rurais quanto ao turismo, como está a política a monitorizar para gerir o território?

O turismo pode ser um pilar para a sustentabilidade de uma região, dependendo da sua capacidade para gerir a oferta e a procura, mas também os impactos, positivos negativos da sua integração no território, seja do ponto de vista ambiental, social e económico. Em matéria de estatísticas e estudos de monitorização de impacto, estamos a fazer estas contas? Como trazer esta realidade para as estatísticas? É pertinente? Há casos de estudo? Como podemos dar os primeiros passos? O que ganharíamos, como região e país?

Este debate tem vindo a ocorrer em meios diversos, e o convite é para concentrar experiências, conhecimentos e ideias. Este é o momento: dentro do Seminário e fora dele, são todos muito bem-vindos a seguir esta reflexão connosco!
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Marta Cabral

Geriu a Associação Casas Brancas até 2013 e co-fundou a Associação Rota Vicentina, que presidiu até 2025, estruturando o papel do ecoturismo e das redes locais na regeneração dos territórios rurais.

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