O modelo de gestão da Rota Vicentina

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No dia 22 de Junho reunimos um grupo de 20 Associados da Rota Vicentina para olhar para a Associação, 9 anos volvidos desde a sua fundação, 10 anos depois do lançamento dos primeiros trilhos. O objectivo foi o de olhar para o propósito, questioná-lo e revê-lo, ampliá-lo, à luz da nova realidade do território, do turismo, da rede de associados, do mundo.

Começámos por fazer um breve ponto da situação a partir do quadro financeiro: em números gordos, qual a estrutura de custos da Associação? Quais os custos fixos e de funcionamento e quais os compromissos de investimento em curso? Quais as receitas próprias, os apoios públicos regulares e o enquadramento dos programas de financiamento na orgânica da associação? Quais os principais activos e o que eles exigem em termos de manutenção, gestão, valorização? Qual o peso dos custos com a equipa e qual a prioridade no curto e médio prazo?

Depois de um curto balanço de forças e fraquezas, lançámos 4 questões para um debate alargado, que procuravam reunir os aspectos mais relevantes da vida da associação, dos associados e do território. Procuro resumir as principais ideias que resultaram:

1. Perante tantos desafios, qual o propósito emergente que queremos destacar?Uma maior foco no turismo nacional com um esforço concertado de valorização do sudoeste como destino turístico sustentável, envolvendo as empresas da rede e a comunidade na concretização de um compromisso colectivo com o futuro; Garantir crescente robustez e autonomia no processo de decisão.

2. Como podemos ajustar o actual modelo/sistema de liderança e funcionamento interno às necessidades reais?

Forte investimento na Área Comercial, na equipa em geral e na estrutura financeira da Associação. Maior envolvimento dos Associados e co-responsabilização na dinâmica da Associação a partir de uma maior proximidade da equipa ao terreno, da identificação dos vários interesses e da estruturação de um esquema flexível e modular de participação. Reforçar proximidade com grupos e entidades de defesa do território para potenciar efeito de lobby.

3. Qual o potencial de diversificação e desenvolvimento das sinergias, parcerias e financiamento?              

A Rota Vicentina como elemento agregador do território. Várias possibilidades de reforço de financiamento a serem trabalhadas gradualmente, com donativos/crowdfunding e quotas de novos associados com maior potencial de curto prazo, mas também linha de merchandising sustentável, royalties, consultoria benchmarking e prestação de serviços, patrocínios/mecenato (sem risco de green/social washing), eventos pagos, app paga, etc. Aproveitar apetência para voluntariado e estágios, parcerias com universidades, produtores e restaurantes, grupos de proximidade geográfica, etc.

4. Qual o papel da associação na pegada eco-social da dimensão turística da RV? E no desenvolvimento sustentável da região?

Ser uma referência de boas práticas e “estatuto verde como um luxo” a partir do Turismo de Base Comunitária, inspirando os investimentos do território, alimentando partilha de casos entre associados e com outras empresas e destinos. Estimular economia circular dentro do circuito turístico. Investir em comunicação consciente para visitantes, empresas locais e comunidade residente; integrar bem estar físico e emocional como parte do conceito de sustentabilidade; vertente ambiental com recurso a voluntariado, investindo gradualmente em soluções rentáveis para responder aos problemas ecológicos; reforçar pressão de lobby para reduzir forças que fragilizam património local.

O resultado foi a compilação de várias ideias para o desenvolvimento e fortalecimento da Associação e a noção muito clara de que é necessário manter o foco, estabelecer prioridades e reforçar a capacidade de execução.

Foram eleitos 3 temas a que dedicámos mais atenção, sendo que muito ficou ainda por discutir:



  • Sustentabilidade Financeira
    Maior investimento na equipa e identificação das várias fontes de financiamento a investir.



  • Capacitação
    Sobretudo na partilha de boas práticas e dicas de negócio, também junto dos caminhantes e turistas, nas escolas para incentivar “amor à terra”.



  • Maior Envolvimento da Comunidade
    Associados embaixadores, juntas de freguesia, escolas, promoção sobre actuação da Rota Vicentina.


Facilmente se conclui que os vários temas se cruzam, mas que é importante procurar sistematizar áreas de actuação. E potenciar a capacidade de liderança da própria associação, pela voz e pela mão dos seus Associados. Assembleias-gerais são importantes, mas a Rota Vicentina tem um enorme potencial de agregar valor ao território e às empresas da rede que carece de mais e melhor articulação conjunta. Esse pode ser o grande propósito desta nova fase da Rota Vicentina: assegurar um desafio territorial enorme a partir de uma crescente capacidade agregadora e a partir da inspiração de Associados, parceiros e comunidade. Soltar as amarras dos processos formais e garantir formas inovadoras de chegar às reais necessidades e expectativas de cada um.

Acredito que estamos no bom caminho, mas não duvidemos por um minuto de que todos somos poucos para avançarmos ao ritmo que a realidade nos exige… Este texto é também um exercício de partilhar a construção da estratégia desta Associação, a que se seguirão vários momentos abertos a Associados, parceiros e à comunidade.

Lançámos “A Rota Mais Próxima” na FACECO e vamos andar a seguir feiras e eventos e também a lançar datas próprias para chegarmos a cada localidade e trabalharmos com todos, à porta de casa.

Contem connosco, contamos convosco!

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Marta Cabral

Geriu a Associação Casas Brancas até 2013 e co-fundou a Associação Rota Vicentina, que presidiu até 2025, estruturando o papel do ecoturismo e das redes locais na regeneração dos territórios rurais.

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